DRE: Como Descobrir Se a Sua Empresa Dá Lucro (e Onde o Dinheiro Fica Pelo Caminho)

Vender muito não é o mesmo que lucrar. A DRE mostra a diferença, linha por linha

10/8/2026

"A loja está sempre cheia, mas não sobra nada." Essa frase é mais comum do que parece. O problema quase nunca é falta de venda: é não saber o que acontece entre o dinheiro que entra e o lucro que fica. A DRE, sigla de Demonstração do Resultado do Exercício, é o relatório que mostra esse caminho. Com ela, você descobre se a empresa dá lucro, quanto, e qual etapa está consumindo o resultado.

O que é a DRE

A DRE é um relatório que parte do faturamento e vai descontando, em ordem, tudo o que a empresa gastou para gerar esse faturamento, até chegar ao lucro ou prejuízo do período, seja ele um mês, um trimestre ou um ano.

A estrutura básica é prevista na Lei nº 6.404/1976 e funciona como uma escada: cada linha parte do resultado da anterior.

A DRE usa o regime de competência: registra a venda quando ela acontece, mesmo que o cliente pague depois. Por isso, lucro na DRE não é o mesmo que dinheiro no caixa.

Por que ela importa

A DRE responde a três perguntas que todo dono precisa saber:

  • A empresa dá lucro? Parece óbvio, mas muitas pequenas empresas só descobrem no fim do ano.

  • Onde está o problema? Se o lucro bruto é bom e o líquido é ruim, o problema está nas despesas. Se o lucro bruto já é baixo, o problema está no preço ou no custo do produto.

  • O preço está certo? A DRE mostra se o que sobra de cada venda paga a estrutura da empresa.

Principais indicadores

O EBITDA (em português, LAJIDA: "lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização") mostra se a operação do dia a dia gera dinheiro, sem o efeito de dívidas e de investimentos antigos.

O EBIT (em português, LAJIR: "lucro antes de juros e impostos sobre a renda") vai um passo além: desconta também a depreciação. Com isso, mostra se a operação paga inclusive o desgaste das máquinas e equipamentos que ela usa. A diferença entre os dois é justamente quanto a empresa precisa reservar para repor os seus bens no futuro.

Exemplo prático

Veja a DRE de um mês de uma cafeteria optante pelo Simples Nacional:

No Simples Nacional, o IR e a CSLL já estão dentro do DAS, por isso não aparecem de novo no final.

Os indicadores:

  • Margem bruta: 34.500 ÷ 55.500 = 62,2%.

  • Margem de contribuição: (55.500 − 21.000 − 1.500) ÷ 55.500 = 59,5%.

  • EBITDA: R$ 3.500, ou 6,3% da receita líquida.

  • EBIT: R$ 2.800, ou 5,0% da receita líquida. Os R$ 700 de diferença são o desgaste mensal das máquinas de café, que um dia precisarão ser trocadas.

  • Margem líquida: 2.200 ÷ 55.500 = 4,0%.

A cafeteria vende R$ 60 mil por mês e lucra R$ 2.200. Olhando a DRE, a dona percebeu que o custo das mercadorias, 35% da receita bruta, era a linha com mais espaço para melhorar: havia desperdício de leite e de produtos de vitrine. Uma redução de 2 pontos, ou R$ 1.200 por mês, aumentaria o lucro em mais de 50%, sem vender um café a mais.

Conclusão

Monte a DRE da sua empresa todo mês, mesmo que de forma simples, numa planilha com as linhas deste artigo. Calcule as quatro margens e acompanhe a evolução. Quando o lucro cair, desça a escada linha por linha para descobrir onde ele ficou. E lembre: a DRE mostra o lucro, mas não o dinheiro no banco. Para isso, ela precisa andar junto com o fluxo de caixa.